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O câncer de mama provoca medo por ser importante causa de mutilação psicofísica e psicossocial em mulheres e também pelo alto índice de mortalidade. Convém ressaltar que a detecção precoce do câncer, através do auto-exame das mamas e outros procedimentos, como exame clínico, mamografia, poderá minimizar os efeitos da doença e aumentar as possibilidades de cura (ARAÚJO; RODRIGUES, 2000; SOUTO et al., 2000).
Segundo Rodrigues (1999) o câncer de mama tem afligido mulheres por sua alta freqüência, predominantemente na população feminina, possuindo um caráter estigmatizante pelo fato de ser considerado um processo patológico grave, podendo redundar em mutilação e/ou morte.
Os últimos dados fornecidos pelo Ministério da saúde estimaram que, em todo o Brasil, foram registrados 305.330 casos novos e 117.550 óbitos por câncer. Sendo as neoplasias de mama o principal câncer que acometeu as mulheres (36,47/100.000) (BRASIL, 2002).
Dentre as modalidades de detecção precoce do câncer, o auto-exame da mama é a modalidade mais vantajosa, por ser o método mais prático de ser realizado, uma vez que permite à própria mulher se examinar, menos oneroso de todos e eficaz se praticado regularmente, respeitando a técnica e período corretos. O exame clínico deve ser realizado anualmente por um profissional de saúde treinado, prioritariamente médico ou enfermeiro. A mamografia que consiste na radiografia da mama deve ser realizada anualmente pelas mulheres que têm história familiar de câncer de mama e com idade acima de 40 anos, este exame permite a detecção de um nódulo não-palpável pelo exame clínico ou auto-exame (BRASIL, 2001).
Sobre o auto-exame das mamas Silva et al. (1998) enfatizam que algumas mulheres ofereceram resistência a essa modalidade de detecção precoce alegando vergonha de se tocar, desconhecimento da técnica e medo de detectar um nódulo.
Acreditamos que tais fatores podem dificultar a descoberta de um nódulo mamário benigno ou maligno em qualquer estádio de desenvolvimento, já que a maior parte das alterações mamárias é descoberta pela própria mulher, através do auto-exame da mama, em 90% dos casos (BRASIL, 2001).
Neste trabalho queremos despertar a população feminina para a necessidade de ações de autocuidado, que segundo Fialho e Pagliuca (2000), é o cuidado desenvolvido pelo próprio indivíduo em benefício próprio, através de atividades ou ações, que satisfazem a necessidade do próprio ser, a partir de determinados requisitos ou condições, sejam fisiológicas, de desenvolvimento ou comportamentais.
Para que as mulheres detectem precocemente o câncer de mama, é preciso que haja maior conscientização por parte da população feminina no que se refere aos benefícios do auto-exame e maior envolvimento dos profissionais de saúde, em especial dos enfermeiros, estimulando e ensinando constantemente às mulheres ações de autocuidado voltadas à detecção precoce do câncer de mama. Acreditamos que a troca de informação com a comunicação clara e objetiva poderá facilitar a apreensão do conhecimento sobre o câncer de mama.
Assim sendo, objetivamos socializar informações junto às mulheres sobre auto-exame da mama, para avaliar o conhecimento apreendido quanto a detecção precoce do câncer de mama antes e depois da apresentação de material informativo, através de vídeo educativo, usando então a comunicação visual e discussão participativa.
2 Metodologia
A pesquisa foi de caráter descritivo que, segundo Triviños (1993), Polit e Hungler (1995), teve como enfoque primordial conhecer traços, características e problemas das mulheres da comunidade e aumentar nossas experiências e conhecimento sobre a problemática dessas mulheres.
A amostra foi constituída de acordo com o comparecimento das mulheres no ambulatório para a primeira consulta de prevenção do câncer ginecológico, numa instituição pública e de referência do Estado, nos dias de segunda à sexta-feira de manhã, no mês de fevereiro e nos dias de terça, quarta e quinta à tarde, durante o mês de março. Diante da forma de coleta de dados, a amostra foi constituída por 90 mulheres que correspondem aproximadamente a 30% do atendimento mensal.
O processo para obter informações da realidade investigada foi dividido em quatro partes. Na primeira, foi aplicada entrevista semi-estruturada, com dados de identificação e perguntas sobre o câncer de mama, detecção precoce e o auto-exame de mamas. Na segunda parte foi apresentado um vídeo educativo sobre a técnica de palpação circular da mama, e na terceira parte foi feita uma discussão que objetivava informar e elucidar questões sobre o câncer de mama, o diagnóstico precoce e o auto-exame de mamas. E por fim, na quarta etapa foi repassada a mesma entrevista com, objetivo de identificar o conhecimento sobre a temática discutida.
Após esse levantamento, os dados foram organizados em categorias, apresentados na forma de tabelas e agrupamento de falas e analisados com base na literatura pertinente ao tema, garantindo o caráter confidencial das informações prestadas.
3 Resultados e discussão
Verificamos que das 90 mulheres participantes do estudo, 70 eram casadas, correspondendo a 77% da amostra, com predominância na faixa etária de 20 a 30 anos. Vinte mulheres referiram ser solteiras e estavam na faixa etária de 14 a 19 anos.
Com relação à ocupação e grau de escolaridade, 34 mulheres referiram dedicar-se ao lar, 25 referiram somente estudar e 31 mulheres referiram trabalhar fora do lar, desenvolvendo atividades de doméstica, vendedora e professora, dentre outras. Quanto ao nível de escolaridade, observamos que 50 delas cursaram o Ensino Fundamental, 38 cursavam o Ensino Médio e apenas duas concluíram o Ensino Universitário.
Observamos que são mulheres que estão adquirindo conhecimentos e possivelmente envolvidas com suporte informativo sobre saúde e doença. Mesmo assim, ao serem questionadas, antes do repasse de informação sobre o câncer de mama, identificamos que a maioria associa o câncer a uma doença perigosa, terrível e 31 delas não sabem dizer nada, como mostra a tabela 1.
TABELA 1: Conhecimento das mulheres sobre câncer de mama antes e depois da apresentação do vídeo educativo.
Após assistir o vídeo informativo e discutir a temática com as participantes, observamos que as mulheres apreenderam conhecimentos e assim poderão tomar decisão quanto o autocuidado e fortalecer a idéia de que é necessária e importante a detecção precoce do câncer.
Dentre as alterações, a presença de secreção na mama foi referida por 29 mulheres e esta deve ser avaliada por especialista na opinião de Vanzin e Nery (1997).
TABELA 2: Distribuição das participantes quanto a prática do auto-exame de mama.
Podemos perceber que mais da metade das participantes (71) não fazem o auto-exame de mama. Tal fato confirma Caliri (1998), quando relata que a população feminina é desinformada no que se refere aos cuidados relevantes com a saúde das mamas. Das 19 mulheres que realizam o auto-exame de mama, apenas 13 o fazem corretamente, usando a técnica circular de palpação.
TABELA 3: Conhecimento das mulheres sobre o auto-exame de mama antes e depois da apresentação do vídeo educativo.
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